Pensando em resgatar os costumes e culturas que estão se perdendo na região, foi elaborado o Projeto Cultural “História de Vida – As Raízes do Batuque nas Comunidades Rurais da Região Metropolitana do Vale do Aço” que trará para população um pouco da história dos batuqueiros da região. O projeto teve início em janeiro de 2010 e os trabalhos de campo começaram nos dias 27 e 28 de março, onde uma equipe de profissionais multidisciplinar pesquisam e reconhecem as comunidades, identificando possíveis pessoas envolvidas no movimento do Batuque.
Este projeto surgiu quando Alessandro de Sá, Geógrafo e Diretor Financeiro do Instituto Interagir, realizava uma pesquisa dentro da Área de Preservação Ambiental de Ipatinga. “Dentro da APA eu tive contato com esta manifestação cultural, que é o Batuque, e percebi que esta dança é pouco conhecida na região, então surgiu o desejo de resgatar a cultura dos Batuqueiros, mostrando a população o grande potencial cultural que temos na região”, conta Alessandro.
O projeto abordará as cidades de Ipatinga, Santana do Paraíso, Belo Oriente, Coronel Fabriciano e Timóteo. Após as pesquisas e o reconhecimento do movimento, será realizado um inventário sobre a manifestação cultural. Um livro didático também será produzido contando a história do Batuque na região, ele será distribuído nas bibliotecas municipais da região Metropolitana do Vale do Aço.
Ao final do projeto que tem previsão de término no mês de setembro deste ano, será realizada uma apresentação cultural, onde os Batuqueiros mostrarão ao público a dança, e suas principais características. As apresentações acontecerão em cada uma das cidades que o projeto aborda, sendo que a ultima apresentação será no Centro Cultural Usiminas, Usicultura, no Shopping do Vale.
A DANÇA
De origem Africana, o Batuque é uma dança que compõe um ritual de fertilidade, que veio para o Brasil no período colonial, e que permanece vivo em várias localidades Brasileiras.
Para iniciar o Batuque, os integrantes da dança fazem uma oração pedindo em favor da festa. A dança se desenvolve numa grande roda, onde os dançarinos vão ao centro, em pares ou solo e executam passos improvisados, sendo que o requebrado dos quadris é constante e o ritmo é marcado pelos atabaques e tambores, acompanhado por batidas dos pés e palmas. Os pares são organizados em duas fileiras para entrarem na “sala”, que é o nome dado a roda onde as pessoas ficam para dançar.
Na dança se encostava o umbigo de um dançarino com o outro, passo nomeado de “Umbigada”, mas com o passar do tempo o umbigo foi trocado pelos ombros, a partir de então os Batuqueiros passaram a encostar um ombro no do outro, mas o nome do passo permaneceu o mesmo.
No encerramento do Batuque executa-se o “leva e traz”, onde os dançarinos gingando de um lado a outro, reencontram e dão umbigadas incessantes. Apesar da dança ter incorporado novos significados e passar por adaptações, esta manifestação cultural ainda é uma tradição que permanece viva nas comunidades rurais da Região do Vale do Aço.